
Enquanto trabalha, lembra de algo que precisa resolver em casa. Quando finalmente consegue parar, pega o celular. Quando larga o celular, começa a pensar no dia seguinte.
O corpo pode até estar parado, mas a cabeça continua funcionando.
Para muitas pessoas, viver assim se tornou tão habitual que o cansaço só é percebido quando já ocupa praticamente todos os espaços da rotina.
Trabalho, mensagens, redes sociais, compromissos, notícias, cobranças e responsabilidades chegam de diferentes lugares ao longo do dia.
Existe sempre alguma coisa que poderia estar sendo resolvida.
Nesse contexto, parar pode provocar uma sensação estranha.
Algumas pessoas percebem que, mesmo quando têm tempo livre, encontram dificuldade para realmente descansar.
O silêncio pode rapidamente ser preenchido por uma tela, uma tarefa ou um novo pensamento.
Às vezes, existe uma preocupação específica.
Em outros momentos, parece haver apenas uma sucessão de pensamentos:
“O que preciso fazer amanhã?”
“Será que tomei a decisão certa?”
“Por que respondi daquela maneira?”
“E se algo der errado?”
Uma questão leva à outra.
A tentativa de encontrar uma resposta definitiva pode acabar produzindo ainda mais pensamentos.
Nunca tivemos tanto acesso às vidas, opiniões e escolhas de outras pessoas.
Em poucos minutos, é possível acompanhar mudanças profissionais, relacionamentos, viagens, conquistas e transformações de dezenas de pessoas.
Essa exposição constante pode interferir na maneira como avaliamos nossa própria vida.
Comparações aparecem.
Sensações de atraso podem surgir.
Decisões que antes pertenciam a uma experiência mais particular passam a ser comparadas com inúmeras possibilidades disponíveis na tela.
Não se trata apenas de usar mais ou menos o celular.
Também importa compreender o lugar que essa conexão constante ocupa para cada pessoa.
Existe ainda outra cobrança contemporânea: a necessidade de descansar “corretamente”.
Dormir bem, se exercitar, organizar a rotina, manter relações, produzir, cuidar da alimentação e ainda encontrar tempo para atividades prazerosas.
Até o cuidado consigo pode se transformar em mais uma lista de tarefas.
Quando isso acontece, a pergunta deixa de ser apenas “como organizar melhor meu tempo?” e pode passar a ser:
Por que preciso estar constantemente correspondendo a tantas expectativas?
Duas pessoas podem ter rotinas igualmente intensas e estabelecer relações muito diferentes com elas.
Para algumas, dizer “não” pode ser especialmente difícil.
Para outras, o trabalho pode ocupar um lugar central na própria identidade.
Há quem se cobre para corresponder às expectativas familiares e quem esteja constantemente tentando provar que é capaz.
Por isso, compreender a sobrecarga envolve olhar também para a história de cada pessoa.
A Psicanálise não parte de uma lista pronta de hábitos que você precisa mudar.
O trabalho começa pela fala.
Ao falar sobre as cobranças, relações, escolhas, conflitos e expectativas presentes na rotina, pode ser possível compreender melhor aquilo que sustenta determinados modos de viver.
Por que é tão difícil parar?
De onde vem determinada cobrança?
O que parece estar sempre faltando?
Por que certas expectativas possuem tanto peso?
As respostas não são iguais para todas as pessoas.
É justamente por isso que o processo é singular.
Descansar é importante.
Mas existem situações em que alguns dias de descanso não modificam a relação que a pessoa estabelece com suas cobranças.
Ela retorna à rotina e rapidamente reencontra o mesmo funcionamento.
Quando isso acontece, talvez seja importante não olhar apenas para a quantidade de tarefas, mas também para a maneira como você se posiciona diante delas.
Em uma rotina constantemente preenchida por informações, tarefas e estímulos, encontrar espaço para falar pode produzir outra relação com aquilo que está acontecendo.
A análise não exige que você chegue sabendo exatamente qual é o problema.
É possível começar pelo cansaço, pelo excesso de pensamentos, pelas cobranças ou simplesmente pela sensação de que alguma coisa na maneira como você está vivendo precisa ser compreendida.
Paloma Ametlla é psicóloga, atua há 15 anos no cuidado em saúde mental e orienta sua prática clínica pela Psicanálise Lacaniana. Os atendimentos podem acontecer on-line ou presencialmente em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Se você sente que sua rotina não deixa espaço para compreender o que está acontecendo, entre em contato para conhecer o processo de análise.
Se desejar iniciar um processo de análise, você pode entrar em contato para conversar sobre o atendimento.